terça-feira, 24 de abril de 2012

Renovação


 Quando nos tornamos Shemsu,assumimos um compromisso com a nossa fé e com nossos Deuses pessoais e para coroar esse compromisso ganhamos de nossos Pais,um nome (para saber mais sobre,leia aqui ).Eu vejo isso como existir para a comunidade,passamos por um ritual e podemos ser chamados pelo nosso nome real,a palavra que nos define,aquilo que somos e do que somos feitos. 

Minha irmã mais nova passou por essa cerimônia e eu estava lá juntamente com a Tanakht.Estar ali com as irmãs é algo sublime,ver alguém especial assumir um compromisso,falar e ouvir as palavras sagradas é divino.Mas,renovar os votos é renascer na certeza de que se está no caminho certo. É a quarta vez que renovo e aceito meus votos,é a quarta vez que aceito o caminho que escolhi. Desde o primeiro dia eu soube que ali era a minha casa e ali eu seria acolhida,acarinhada e me tornaria uma pessoa espiritualmente mais feliz. Ali eu soube que meu caminho é diverso,mas possui um Norte sólido.

Participar de uma cerimônia de  nomeação é algo emocionante,algo que nunca vamos esquecer.É algo pessoal e intransferível assim como o é o ato de nascer. De alguma maneira poderosa os nosso Pais estão ali e de alguma maneira poderosa nós sentimos toda a energia de uma comunidade inteira,mesmo que esta esteja espalhada pelo mundo.É um momento de  alegria ,poder,entendimento e amor extremo. É a prova concreta de que distancia,língua e tempo não são nada para quem tem fé.

Eu sou Paut,  eu sou o Amanhecer.



quarta-feira, 21 de março de 2012

Irmandade

A Ortodoxia Kemética se baseia em 5 pilares: Ma’at, Netjer, Akhu, Nisut (AUS) e comunidade.Prometo que em breve eu falo de cada um dos cinco pulares e como eu lido com isso tudo! O assunto de hoje está mais para comunidade e fraternidade do que para qualquer outra coisa! rsrs

Na semana de meu aniversário espiritual, o meu Pai Khepera pregou-me uma peça: deu-me mais uma irmã. É sabido que eu sou uma pessoa ciumenta e na hora que soube que não era mais a caçula  fiquei meio emburrada. Como sempre, fui para o Sol da Manhã,me aconselhar,sentir Seu toque, Seu amor...eu não sou mais criança e não dá para ficar alimentando coisas bobas para nada. Eu gargalhei pois enfim,entendi a mensagem de meu Pai para mim. É muito fácil gostar de quem nos acompanha desde sempre...e quando chega alguém novo no pedaço? 

Vieram me dar parabéns pois eu havia ganhado uma irmã e o mais engraçado é que como somos pouquíssimos ( 3, de fato )muita gente nem sabia que Khepera possui filhos! E percebi que já a considero irmãzinha, que ela é um pequeno Sol que vai buscar tudo aquilo que busquei há um ano da maneira dela, em um Deus que não é masculino ou feminino...é a representação de uma das maiores forças na Natureza, que é constante,infalível e presente até quando você não quer.Um Deus que não tem muita história, que não é antropomorfizado em seus mitos, que de tão simples se torna complicado de entender. E que ela é um pedaço de mim e que somos parte de uma Casa,de uma comunidade coesa e diversa que tem muita história para contar. Resolvi escrever para ela,pois além de ser de bom tom dentro da comunidade...me eu vontade mesmo. Ultrapassei a barreia de língua novamente e disse-lhe que gostaria muito de estar em sua cerimônia de nomeação (sobre essa cerimônia falarei depois também) afinal, renovar meu compromisso junto com a comunidade e junto das minhas irmãs é uma oportunidade talvez única na vida! Ela ficou feliz,agradeceu,está emocionada.E eu também!

Coisas assim na nossa vida espiritual são reconfortantes, é um abraço do Sol, um não estar sozinho no meio do céu...o que é o Sol senão uma estrela?E quantas estrelas cabem no céu?


sexta-feira, 9 de março de 2012

Reabertura do templo



Muito tempo sem escrever aqui. Na verdade eu tive uma crise religiosa. A fé continuava firme,mas a minha relação com a minha religião ficou meio estranha.Resolvi parar de me cobrar e segui.O meu grande problema com tudo é que algumas vezes eu admiro tanto algumas pessoas que quero seguir suas trilhas.Obviamente na dá certo.Então parei no caminho,sente e esperei.

Depois do meu RPD um mundo de possibilidades se apresentou a mim.Depois do Wep Ronpet,idem. Acredito que por querer fazer bonito me atrapalhei e acabei não fazendo muito.É tudo tão bonito e tão bom quando encontramos algo que esquenta o coração,certo? Mas quem sou eu no meio disso tudo? Qual a minha identidade ? Quem é Paut, a Shemsu? Eu não consegui responder.Eu não consegui acender velas num Senut. Eu não conseguia nada.E por consequência eu não conseguia escrever. Eu não contei isso para ninguém,nem para minha irmã Tanakht (que nesse exato momento,lendo aqui, deve estar com cara de planta). Eu segui. Nunca estive só, nós na nossa fé,nunca estamos sozinhos e somos uma família,uma comunidade.Mas lá dentro eu escolhi viver esse momento sozinha.Não foi sofrido,de forma alguma.Foi uma busca.Ainda é.Mas agora o momento. E agora eu voltei ao meu templo,mas precisamente ontem quando fiz meu “aniversário espiritual”, um ano de RPD. Percebi que tenho todo o tempo do mundo e que posso e devo ser autentica dentro das minhas possibilidades. 

Eu não vou intelectualizar meus escritos,sou contra isso.Na verdade eu acho uma chatice e já tem um monte de gente fazendo isso em vários blogs sobre religião e espiritualidade. Eu espero desmistificar a vida reconstrucionista,com palavras simples e objetivas,falando do cotidiano contemporâneo de uma Shemsu de uma fé antiga. O templo está aberto....mas comigo os ritos acontecem dentro e fora dele. Vamos recomeçar.
Ontem quando o dia amanheceu eu senti meu renascimento,aqui nesta pele quente.


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Celebrando meus Akhu


Nós celebramos nossos antepassados.Nós acreditamos que eles ao passarem ilesos por Wesir e tudo o que envolve a entrada no Duat, se tornam seres de luz,benditas estrelas que iluminam nossos caminhos. Nós viemos deles e isso é muita coisa. Há N formas de se fazer isso. E hoje,apesar de o nosso festival Wag (algo equivalente ao dia de finados) já ter passado,eu quero falar um pouco sobre a minha  prática pessoal para com os meus Akhu.

O festival Wag durou dois dias e sinceramente eu não estava muito animada para fazer nada formal.Pensei mil coisas e nada me satisfazia.Pensei muito no meu pai que sempre me ensinou que as coisas impostas (ou auto impostas) nem sempre dão um resultado positivo. Então pedi desculpas e avisei que naquele dia não ia ter nada. No segundo dia do festival eu acordei com uma vontade imensa de ouvir músicas antigas. Peguei um cd do meu pai e coloquei para ouvir. Fui fazer comida e sabe-se lá porque resolvi fazer um prato que leva MUITA cebola, ingrediente esse que meu pai adorava com fervor. Eu mexia a panela e o pensamento vagava,quando dei por mim eu estava chorando.Não chorei de saudade,chorei de gratidão por tudo que está acontecendo em minha vida.Por tudo de lindo,por todo amor e por toda alegria que eu tenho colocado em minha vida e na vida dos meus.E ali eu percebi que essa é a lição que meus Akhu querem que eu perceba não só no dia deles mas todos os dias da minha vida.Para que quando eu me torne Akh,alguém tenha coisas boas para lembrar de mim.

E eu cantei muito,cantei na língua deles e chorei e ri.Porque nós somos assim,porque eu sou assim.E sonhei,sonhei com bailes e vestidos,com danças que eu não sei dançar mas que espero um dia aprender. Nós (a família civil) não somos de palavras bonitas e grandes louvores.Eu não sou uma pessoa formal.Eu não sei belos hinos.Eu não tenho a voz firme.Mas eu tenho um coração grande que procura ter nobreza dentro de si.


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Wep Ronpet 2011

No começo de Agosto aconteceu o nosso ano novo. Celebra-se o último dia do ano ,mais os 5 dias epagomenais e o dia de ano novo conhecido como Wep Ronpet.Sim,são sete dias de coisas a fazer,organizar,meditar. Por uma dessas coincidências gostosas que a vida proporciona ,eu estava de férias, Paqeni idem. A Tanakht conseguiu uns dias a mais em suas férias e já estávamos planejando isso há um certo tempo.Finalmente íamos nos conhecer e celebrar juntos. O tempo passou ,eu e Paqeni conhecemos o Hap que também se juntou às nossas festas.

Um mês depois eu consigo escrever sobre isso.Não é fácil ter uma família espalhada pelo mundo,longe do alcance das mãos. Há muito tempo eu não sabia o que era celebrar de olhos fechados e em confiança plena. Há muito tempo eu não sentia um culto me puxar tanto pela alma e coração como agora (exceto o meu amor por Ares).Foi tão significativo que eu posso dizer sem medo que não estava na minha condição mental 100% eficaz.Como assim? Passei uma semana entre dois mundo sendo duas pessoas: a civil que recebeu os amigos e não sabia muito o que fazer com isso e a pessoa kemetica que ainda está sendo descoberta como tal. Sim,isso é engraçado! Eu poderia ter surtado e ficado triste por estar meio perdida nisso tudo,mas eu preferi deixar fluir e aceitar tudo e com isso viver o momento.
Eu vi nossos deuses,um a um,oração após oração,dia após dia.Eu vi nossos pais sagrados e até os deuses que não tenho muita intimidade. Eu sofri por ter que falar com eles,porque eles sabem que eu sou totalmente silenciosa em minhas preces.Mas eram dias formais e eu precisava agir assim.E foi sincero apesar de dolorido.O que importa mesmo é que aprendi com Eles e com seus filhos que eu posso mais,muito mais.E eu quero mais. (Mais detalhes sobre o evento você lê no blog da Tanakht aqui )

Celebramos,passeamos, decoramos corpos e altares,rimos,amamos.E eu ,que pensei estar descrente do amor e da amizade,percebi que amo e acredito que existem pessoas parceiras e amigas e que quero que elas permaneçam na minha pelo fato de nos aceitarmos. Ganhamos com nossa fé uma comunidade inteira que celebra junto e não permite que distancias geográficas sejam empecilhos para nada.

Ano novo que marca o começo de uma nova estação,um novo mês.Um Zep Tepi,um amanhecer.Uma nova chance nos é dada todos os dias.Uma nova chance de acreditar,de tentar,de amar. O ano que começa exatamente com o meu Pai aparecendo sublime no céu,nos mostrando que nada pode ser maior que a luz,que a esperança,que o amor. Naquele momento eu percebi que Paut é uma nova pessoa acoplada dentro de um inteiro é que dela emana raios de Sol,de alegria,de festa,de afeto.Eu me vi ali cercada de amigos,de irmãos,visíveis ou não,perto ou distantes. Eu vi a parte e o todo.Eu vi todas as possibilidades de uma nova vida.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Amanhecer


Tudo tem um começo e bem sei disso afinal eu sou filha do Senhor do Amanhecer,Khepera.

Dia oito de março de 2011 foi a data da minha nomeação, o dia que meu Pai anunciou por todo o céu o nome de sua filha e que meus amados me receberam de braços abertos recitando meu nome,minha identidade. Foi o meu Zep Tepi, o meu amanhecer, o meu início.

Pouco se fala no Brasil sobre o Kemetismo Ortodoxo, então penso...porque não falar um pouco? Pouco se sabe da simplicidade do nosso cotidiano,nossos gostos,nossos pensares,então porque não? Calma.Não espere que eu vá postar fórmulas mágicas da maldição da múmia! Aqui eu quero escrever sobre as minhas sensações ..aquela sensação que a areia nos faz sentir na sola dos pés. Simples assim.A vida Kemetica é simples,muito simples.

Agora eu abro a minha tenda para a visita dos amigos e irmãos do Brasil ou não. Escolha uma almofada colorida,sirva-se de chá.Aprecie o nascer de meu Pai em pleno deserto!